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Dia de Finados em Jardinópolis e um Cemitério com muita história

Visitantes compareceram ao Cemitério Municipal de Jardinópolis onde, além de rezarem por seus entes queridos, também visitam parte da história de cidade que infelizmente está largada ao descaso.

No último sábado (2) o Cemitério Municipal de Jardinópolis abriu seus portões para o tradicional Dia de Finados.


Foram feitas uma nova pintura nas faixas do estacionamento, as ruas principais do cemitério foram limpas e algumas outras passagens também, tudo organizado para a chegada dos visitantes.

Visitantes durante Dia de Finados. (Foto: Renato Gomes)

(Foto: Renato Gomes)

Um dia antes, porém, na sexta-feira (1) as pessoas já compareceram ao cemitério para a limpeza dos túmulos, evento esse que já é tradição em todo o país e outras partes do mundo.

Foram realizadas duas missas na capela do cemitério no sábado, as 8h da manhã o Padre Willian Marcos Pelozi da Igreja de Nossa Senhora de Fátima realizou a primeira missa, logo em seguida a missa foi celebrada pelo Padre Fernando Soares, da Igreja de São Sebastião.


Fonte: Página Facebook Prefeitura Municipal de Jardinópolis/AIPMJ



Túmulos antigos e o descaso com a história


O cemitério de Jardinópolis é pequeno mas isso não o torna menos importante historicamente.


Um dos fatos históricos mais famosos e curiosos de Jardinópolis é sobre a inauguração do cemitério.


Dr. João Muniz Sapucaia. (Foto: Acervo Museu e Casa da Cultura Dr. Paulo Portugal)

Assim que ocorreu a emancipação política de Jardinópolis e o desmembramento do município de Batatais, o primeiro prefeito, ou intendente, de Jardinópolis foi o baiano Dr. João Muniz Sapucaia, no ano de 1899.


Naquele tempo o cemitério local ficava onde hoje é a Capela de Santa Luzia, na rua Júlio Camargo de Moraes, mas como a cidade crescia muito, a população já a muito tempo pedia um outro espaço, agora maior, para um novo cemitério.


No mesmo ano foi dado início a construção do novo cemitério, terminando no ano seguinte em 1900.


A parte curiosa da história, é que aproximadamente 1 mês após a construção do cemitério ser finalizada, o prefeito Dr. João Muniz Sapucaia, com então 34 anos, veio a falecer e acabou sendo o primeiro a ser sepultado no novo cemitério.


O primeiro descaso com a história aqui, é que somente no ano de 1916 que foi construído um pequeno mausoléu para o ex-prefeito, de iniciativa da Câmara Municipal da época, e o “túmulo” que se encontra próximo a uma antiga entrada do cemitério, pela rua que hoje leva seu nome, Rua Dr. Muniz Sapucaia, está quase que em ruínas. Um de seus dois vasos que se encontravam na parte superior caiu e hoje está guardada no Museu e Casa da Cultura Dr. Paulo Portugal, sua fachada quase inelegível pelo desgaste do tempo, e manchas cobrem toda sua estrutura, em parte feita de mármore.

Túmulo de Dr. João Muniz Sapucaia. (Foto: Renato Gomes)

Algum tempo atrás foi realizada uma reforma na estrutura do cemitério, e o alargamento da “rua” que adentra o cemitério por esse lado, quase que atinge o túmulo mais antigo.

Antiga entrada do cemitério. (Foto: Renato Gomes)

Infelizmente como a sua família nunca teve um jazigo no cemitério, nenhum parente se encontra mais nem mesmo próximo de Jardinópolis, para quem sabe cuidar e manter intacta sua história.


Outro túmulo com uma história curiosa, é o chamado “Túmulo Invertido”.


Conta a história que a pessoa ali enterrada, de nome Eleasar, faleceu no ano de 1912 de uma doença muito contagiosa, “Alastrim” (Varíola). Nessa época, quando alguém morria de algo assim, era comum se enterrar a pessoa com o túmulo no sentido contrário aos demais, para que assim fosse fácil a sua identificação, pois ainda se tinha muito medo de que outras pessoas ficassem doentes ao se aproximar até mesmo do túmulo.

Túmulo Invertido. (Foto: Renato Gomes)

Por mais q ele esteja num estado até bom, se comparado com outros, sua curiosa história quase não é contada.


Outros túmulos ainda se mantém conservados graças as famílias que ainda cuidam deles, como o caso do túmulo da família do primeiro prefeito da cidade, que na época ainda chamada “Ilha Grande”, Domiciano Alves de Rezende.

Túmulo de Domiciano Alves de Rezende e família. (Foto: Renato Gomes)

Outros túmulos como do Dr. Arthur Costacurta, da família Marincek, família Rassi, e tantas outras, se mantem quase sempre preservados.

Túmulo do Dr. Arthur Costacurta. (Foto: Renato Gomes)

Túmulo da família Rassi. (Foto: Renato Gomes)

Túmulo da família Marincek. (Foto: Renato Gomes)

Mas e o que dizer dos túmulos das famílias mais simples, ou mesmo aqueles que nem existem registros ou referências, ou suas famílias não residem mais próximo a cidade, mas que ainda sim são curiosos, mas que estão deteriorando e as pessoas passam por eles sem nem saber de quem são.



Alguns com belas imagens, ou mesmo sua estrutura parecendo uma pequena obra de arte.


Como exemplo existe um túmulo sem nenhuma identificação, pequeno, provavelmente de uma criança, que não existem registros, placas, nada que possa apontar nem mesmo para uma família.


É um túmulo curioso, mas bonito em sua simplicidade, ele tem um formato de um pequeno caixão, onde por cima dele aparenta ter sido colocado um delicado véu, ou um tecido bem leve, deixando seus cantos em suas quedas arredondados.

Tumulo sem registro. (Foto: Renato Gomes)

Tumulo sem registro. (Foto: Renato Gomes)

Infelizmente esse pequeno e belo túmulo está se desfazendo.


Ainda sobre o Dia de Finados falado no início da matéria, durante visita ao cemitério, foi visto um túmulo que aparentemente havia sido removido seu interior, para um novo sepultamento ou transferência, e acabou que alguns ossos e partes da alça do caixão que havia ali, ficaram largados na terra.


Terra com fragmentos dos ossos espalhados. (Foto: Renato Gomes)

Ossos largados na terra. (Foto: Renato Gomes)

Mais fragmentos de uma ossada. (Foto: Renato Gomes)

Alça de um caixão antigo. (Foto: Renato Gomes)

Túmulos com a terra espalhadas. (Foto: Renato Gomes)

Por mais que seja um túmulo simples e humilde, sem grandes enfeites, mármore ou imagens, era uma pessoa que estava ali, e seus familiares poderiam se ofender com isso.


Como exemplo pessoal, na ocasião do sepultamento de minha avó paterna, ainda em 2017, eu vi alguns ossos, trapos de roupa, pedaços do caixão e parte da dentadura de meu avô, que quando o túmulo foi aberto para sepultar a minha avó, os restos mortais de meu avô foi simplesmente retirado e amontoado num saco de cimento vazio.


Até hoje não entendo o porquê dessas coisas serem tratadas assim, afinal de contas, a última coisa que eu queria ao sepultar a minha avó, era ver os restos mortais do me avô, falecido já a alguns anos.


Sei que aqueles que cuidam do cemitério, os coveiros e as pessoas responsáveis pela limpeza, fazem o possível para manter o local o mais agradável dentro do possível, mas não seria essa uma questão de descaso de onde deveria vir equipamentos, materiais apropriados, ou até mesmo cursos preparatório sobre como lidar com isso tudo?


Ou será que é normal ossos humanos serem deixados na terra ou guardados em sacos de cimento reutilizados?


Fonte histórica: Luiz Francisco Lé de Castro

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