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CREYD COSTA

Atualizado: Out 8

O “DE VOCÊ PARA VOCÊ” E A HISTÓRIA DE UMA DAS MAIORES VOZES DE JARDINÓPOLIS

Por Luiz Francisco Lé de Castro


A história de Jardinópolis foi feita a muitas mãos, e a muitas vozes. A comemoração do Dia do Rádio hoje, 25 de setembro, e a recuperação dos históricos alto-falantes da torre da Igreja Matriz nos últimos dias - que devem ser preservados como elementos da memória coletiva de Jardinópolis -, inspiraram-me a resgatar, entre as páginas da nossa história, uma voz que se calou há mais de três anos, porém cujos ecos continuarão se propagando ao longo do tempo, mesmo que lhes retirem o porta-voz.


Creyd Costa, o “Padrinho do Rádio” de Jardinópolis, tinha o dom da oratória: eloquência, ótima dicção e voz de longo alcance.


Nascido em Jardinópolis, no dia 1.º de julho de 1927, filho de José Tofanetto Costa e de d. Mercedes Righetti Costa, Creyd teve a mãe como sua preceptora, que ensinou os filhos e os netos mais velhos a declamar. Revela a história que d. Mercedes, aos 12 anos de idade, declamou a poesia O Livro, de Victoriano Palhares, na Sessão Litteraria Musical de inauguração do Grupo Escolar de Jardinópolis, em 1909.

Creyd Costa (o primeiro, em pé, à direita) e os amigos: Augusto Evangelisti ("Boogie-oogie"), Alberto Scaloppi, Jesuíno Orlandini, (...) Scaloppi, Nicolau Giudice, Aniz Jabur e Mário Vitorino dos Santos (1948).
Torre da Igreja Matriz, em 26-08-2020, com os históricos alto-falantes.

Como profissão, Creyd foi Telegrafista dos Correios; contudo, seu dom o levou aos alto-falantes da Igreja Matriz de Jardinópolis, nos quais lia avisos; e, tempos depois, à sua própria rádio: a Rádio Propaganda Ilha Grande, inaugurada - com o amigo Jesuíno Orlandini - em 1957 e que funcionava num cômodo, na Rua Silva Jardim, defronte à Praça Nossa Senhora Aparecida.


A Rádio Propaganda era um serviço de alto-falantes que funcionava, pontualmente, entre as 20 e 22 horas, aberto e encerrado pela música Bôa Noite, Amôr, interpretada por Francisco Alves (ouça abaixo). O destaque da programação era o “De você para você”, através do qual “alguém” oferecia uma música a outro “alguém”, com a dedicatória lida pelo locutor.


Enquanto isso, em torno da Igreja Matriz, ocorria o “footing” e as paqueras entre os rapazes e as moças. “Footing” era o programa dos jovens daquele tempo: os homens caminhavam no sentido horário e as mulheres (do lado externo) em sentido anti-horário, sendo que, enquanto isso, olhavam-se e, ali, a paquera acontecia.


Até hoje, comenta-se sobre quantos namoros foram iniciados ao som (ou, em razão) da dedicatória "Alguém oferece a Alguém, como prova de muito amor", na voz de Creyd Costa, e de suas seleções musicais.


Por vezes, a Rádio Propaganda Ilha Grande ia ao ar em horário extraordinário para avisos de utilidade pública, notas de falecimento ou retransmissão de jogos de futebol, como, por exemplo, nas finais das copas do mundo – isso numa época na qual não havia televisão em Jardinópolis ou, quando já havia, não havia a transmissão direta em competições internacionais.


Atribui-se à Rádio, ainda, o aviso, em primeira mão, da renúncia do Presidente da República Jânio Quadros, em agosto de 1961.


Na voz de Creyd Costa ficaram também inesquecíveis as orações fúnebres, aos pés da sepultura; a Oração do Angelus (pontualmente, às 18 horas); e as declamações de poesias em reuniões familiares ou encontros de amigos, além das dedicatórias e as seleções musicais que embalaram muitos jardinopolenses enamorados – tudo o que faz dele uma das maiores vozes de Jardinópolis.


Creyd Costa foi casado com d. Maria Lamonato (in memoriam) - união que durou quarenta e cinco anos (até a morte dela) -, com quem teve a filha Inês Maria Lamonato Costa (in memoriam).


A voz de Creyd se calou no dia 1.º de janeiro de 2017, uma data marcante como tantas outras às quais registrou. Enquanto isso, em nossa memória, permanece Creyd Costa tão límpido como se o vento o propagasse pelos quatro cantos da história de Jardinópolis.



Colaboraram com esta narrativa o sobrinho Euclides Celso Berardo, através de suas memórias; a irmã Sylene Costa Flores, com a fotografia ao microfone; e Nilva Farnochi Giudice, com a fotografia dos tempos de juventude do marido Nicolau Giudice (in memoriam). Registro, aqui, minha gratidão.

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Ouça a música “Bôa Noite, Amôr”, interpretada por Francisco Alves (RCA Victor 34052-A, 1936):


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