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OS “SABIÁS DO SERTÃO” EM JARDINÓPOLIS

A história da dupla Cascatinha & Inhana e os cafezais da nossa cidade

Caro leitor: ao longo da missão deste que vos escreve de preservar e, principalmente, tornar acessível a nossa história (que é muito rica), foram mais de quarenta artigos publicados, mais da metade deles apenas no Jornal Mídia. Como uma forma de resgatar esta produção literária, alguns – quiçá todos – serão publicados nesta plataforma digital, na coluna Álbum de Jardinópolis, nome que também tem história. Este, o primeiro dessa nova fase e já em sua terceira publicação, é especial por ter sido a primeira vez que essa história, até então oral, foi publicada; e pela riqueza que Cascatinha & Inhana representa no cenário musical brasileiro. Boa leitura!

Do autor, Luiz Francisco Lé de Castro.

O dia 20 de abril de 2019 marcou o primeiro centenário do nascimento de Francisco dos Santos. O cantor Cascatinha, como era conhecido, protagonizou, ao lado da esposa Ana Eufrosina da Silva, a Inhana, uma história de amor, de cumplicidade, de pioneirismo e quebra de recordes na música sertaneja (ou cabocla). O que poucos sabem é que a história do casal já cruzou com a história de Jardinópolis.


Cascatinha & Inhana, em foto publicada na Revista Sertaneja N. 1, em março de 1958.

Quem nunca ouviu os versos: "Índia seus cabelos nos ombros caídos/ negros como a noite que não tem luar...". A guarânia “Índia”, gravada em 1951 e um recorde de vendas na época (mais de dois milhões e meio de cópias), foi um dos maiores sucessos da dupla Cascatinha & Inhana. “Índia” foi a música que fez os Sabiás do Sertão, como ficaram conhecidos, despontarem no cenário artístico na segunda metade do século passado e, cantando-a na doce voz de Inhana, eles chegaram a Jardinópolis para apresentar-se, como era comum à época, em circos.


Conta-se que, entre tantas idas e vindas, a dupla conheceu Rafael Antônio Brigliadori e sua esposa Maria Brazzarola Brigliadori, proprietários da Fazenda Flora e, desde então, quase toda a vez que Cascatinha & Inhana vinha à região para apresentar-se, eles se encontravam com os amigos de Jardinópolis. Conta-se que foi em uma dessas visitas à Fazenda Flora que o casal viu os cafezais floridos e aquela branca vista o impressionou de tal maneira que quis eternizá-la em versos.


Certo é que no Festival da Rádio Nacional de São Paulo de 1967, a dupla Cascatinha & Inhana apresentou-se com a música “Flor do Cafezal”, composta por Luís Carlos Paraná (1932-1970) e gravada por eles no LP 25 Anos de Amor, título dado em razão das Bodas de Prata que haviam celebrado no ano de lançamento do disco.


História ou não, Cascatinha & Inhana é um patrimônio da música sertaneja e apenas uma dupla com a simplicidade e docilidade de Francisco dos Santos e Ana Eufrosina da Silva poderia cantar o nascer de flores brancas no verde do cafezal e no vermelho das terras de Jardinópolis:


“Meu cafezal em flor, quanta flor meu cafezal

Meu cafezal em flor, quanta flor meu cafezal

Ai menina, meu amor, minha flor do cafezal

Ai menina, meu amor, branca flor do cafezal

Era florada, lindo véu de branca renda

Se estendeu sobre a fazenda, igual a um manto nupcial

E de mãos dadas fomos juntos pela estrada

Toda branca e perfumada pela flor do cafezal...”


Ouça a música “Flor do Cafezal” (RCA Victor BBL 1425, 1967):



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