Governo brasileiro reage após Trump anunciar tarifa de 25% sobre produtos do Brasil
- Divulgação
- há 2 dias
- 4 min de leitura

O governo brasileiro afirmou nesta quarta-feira (15) que a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros representa um momento negativo nas relações entre os dois países e informou que adotará medidas para reduzir os impactos econômicos da medida.
Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o dia 15 de julho de 2026 "passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável".
A nova tarifa foi anunciada pelo governo norte-americano após uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável por formular a política comercial do país.
A apuração teve como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo dos Estados Unidos investigar possíveis barreiras comerciais e adotar medidas contra outros países.
Segundo o governo brasileiro, não há justificativa para medidas unilaterais contra o Brasil. A nota afirma que, conforme estatísticas do próprio governo norte-americano, os Estados Unidos acumularam nos últimos 15 anos um superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços nas relações comerciais com o Brasil.
O governo brasileiro também afirmou que não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio e declarou que, durante todo o processo, manteve negociações para defender os interesses nacionais.
Brasil contesta argumentos dos Estados Unidos
Na manifestação oficial, o governo brasileiro contestou argumentos apresentados pelos Estados Unidos envolvendo o PIX, a regulação de plataformas digitais e questões ambientais.
Segundo a nota, "são descabidas as alegações contra o PIX e a regulação de plataformas digitais, bem como são absurdas as acusações sobre desmatamento".
O governo classificou o sistema brasileiro de pagamentos como "um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital".
Medidas de resposta
A tarifa anunciada pelos Estados Unidos entra em vigor no dia 22 de julho.
O governo brasileiro informou que pretende utilizar instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, que permite a adoção de medidas contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais ao Brasil.
Além disso, o governo afirmou que irá retomar o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A nota também informa que o Brasil pretende adotar medidas de proteção aos setores afetados pelas tarifas e continuar buscando novos mercados para produtos brasileiros.
Nota oficial do governo brasileiro
O governo brasileiro divulgou uma nota oficial por meio da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República sobre a decisão dos Estados Unidos. O documento é reproduzido abaixo na íntegra:
NOTA À IMPRENSA SOBRE A IMPOSIÇÃO DE TARIFAS UNILATERAIS CONTRA O BRASIL PELOS ESTADOS UNIDOS
"O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável.
O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil.
Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no país sem pagar imposto de importação, e a alíquota média efetivamente aplicada sobre produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%.
O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais.
Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil.
Demonstramos que são descabidas as alegações contra o PIX e a regulação de plataformas digitais, bem como são absurdas as acusações sobre desmatamento. O PIX é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas. A liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade. O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros.
Nas audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada, 63 das 78 intervenções feitas por representantes do setor privado brasileiro e norte-americano foram contrárias ao tarifaço.
O governo do Brasil seguirá adotando medidas para reduzir os danos causados à economia e à renda dos brasileiros. Continuaremos a diversificar parcerias comerciais e a abrir novos mercados para nossos produtos, como fizemos ao firmar acordos do MERCOSUL com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio e Singapura.
Por meio do Plano Brasil Soberano, manteremos medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos EUA, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional.
O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC.
É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros.
Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la.
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República"
Foto: Reprodução
É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos e ilustrações publicados no site do Jornal Mídia Digital, mesmo reprodução de outro texto, por qualquer meio, sem prévia autorização do autor conforme Lei nº 9610/98. Contudo, a divulgação ou compartilhamento das publicações originais, apenas as originais, como link ou postagem em redes sociais do Jornal Mídia Digital, estão permitidas.
