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Mauro Vieira diz que declarações de Marco Rubio são “inaceitáveis e ofensivas”

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  • há 1 dia
  • 2 min de leitura
Mauro Vieira

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (16) que as declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros são "inaceitáveis e ofensivas".


O pronunciamento ocorreu no Itamaraty, após uma reunião do governo brasileiro para analisar a decisão norte-americana e definir a resposta do Brasil.


Segundo Mauro Vieira, Rubio teria feito críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de forma inadequada ao responsabilizar o governo brasileiro pela adoção das tarifas.


“As declarações do Secretário de Estado Marco Rubio veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil são inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiros”, afirmou o chanceler.


Após o anúncio da tarifa, Marco Rubio publicou uma manifestação nas redes sociais dizendo que o presidente brasileiro “não negociou de boa-fé” com as autoridades norte-americanas.


Vieira afirmou que o secretário norte-americano teria atacado "de forma grosseira e arrogante" o chefe de Estado brasileiro, destacando que Lula teria participado pessoalmente de iniciativas para abrir canais de negociação entre os dois países.



Entenda a decisão dos Estados Unidos

Na noite de quarta-feira (15), o governo dos Estados Unidos confirmou que irá aplicar, a partir de 22 de julho, uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.


A medida foi anunciada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas práticas consideradas desleais pelo governo norte-americano.


Entre os pontos citados pelos Estados Unidos está o PIX, sistema de pagamentos criado pelo Banco Central brasileiro. Segundo a avaliação norte-americana, o modelo prejudicaria empresas de serviços de pagamento dos EUA.


O documento que oficializa a nova tarifa também apresenta uma lista de produtos que ficaram de fora da cobrança. Entre os itens isentos estão produtos como café, mel orgânico, açaí, carne bovina, laranja e terras-raras.


Reação do governo brasileiro

Após o anúncio da medida, o governo brasileiro divulgou uma nota afirmando que a decisão representa um momento negativo na relação entre os dois países.


O governo informou que pretende utilizar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, legislação que permite a adoção de medidas contra países que imponham barreiras comerciais ao Brasil.


Na manifestação oficial, o governo brasileiro afirmou ainda que não reconhece a legitimidade de investigações sem respaldo nas regras multilaterais de comércio e declarou que apresentou argumentos ao USTR durante o processo.


A nota também atribuiu parte do episódio à atuação da família Bolsonaro, afirmando que o resultado das investigações teria contado com "colaboração" de integrantes ligados ao grupo político.


O caso segue gerando repercussão diplomática entre Brasil e Estados Unidos.

Foto: Reprodução


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