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Animais abandonados: um problema antigo e sem prazo para solução em Jardinópolis

  • Divulgação
  • há 5 minutos
  • 3 min de leitura

Ultimamente tem se falado bastante sobre a situação de abandono e maus-tratos de animais domésticos, como cães e gatos, principalmente depois da grande repercussão do caso do cãozinho “Orelha”. No entanto, Jardinópolis já enfrenta esses problemas há muitos anos.


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outros institutos, como o Instituto Pet Brasil, ainda em 2025 existem mais de 30 milhões de animais abandonados vivendo nas ruas do país. Em Jardinópolis não há um estudo oficial divulgado sobre a real situação, mas o problema é visivelmente grave, o que pode ser constatado pelos inúmeros relatos e postagens nas redes sociais.


Não é de hoje que muitas cuidadoras independentes enfrentam dificuldades para cuidar desses animais. Elas mesmas relatam a falta de apoio e, por vezes, a pouca preocupação por parte da Prefeitura Municipal em relação ao Bem-Estar Animal.


Além dos próprios munícipes, que divulgam pedidos de ajuda em grupos nas redes sociais, muitos vereadores também se empenham para tentar amenizar e buscar soluções para essa situação.


centro de zoonoses de jardinópolis e ao lado o meu pet container
Centro de Zoonoses e Meu Pet Container - Foto: Renato Gomes

Em Jardinópolis, o Departamento do Bem-Estar Animal e o Centro de Zoonoses fazem parte da Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente. Entre suas atribuições estão dar assistência e cuidar dos animais, inclusive daqueles em situação de rua. No local onde funciona o Centro de Zoonoses, ainda em 2024 foram entregues as estruturas do programa “Meu Pet Container”, mas até hoje elas não foram devidamente instaladas nem colocadas em funcionamento.


Recebemos inúmeras denúncias sobre descaso por parte da prefeitura e sobre a falta de atendimento adequado. Há relatos de que o Centro de Zoonoses permanece várias vezes fechado, sem nenhum funcionário no local. Algumas cuidadoras afirmam ainda que o espaço não é apropriado para os animais, pois o canil funciona dentro do prédio, separado apenas por baias. Alguns desses animais são deficientes e acabam se arrastando pelo chão, muitas vezes sem o uso de fraldas.


Cachorro dentro da baia do Centro de Zoonoses - Foto: Reprodução de vídeo
Cachorro dentro da baia do Centro de Zoonoses - Foto: Reprodução de vídeo

Cachorros deficientes dentro da baia do Centro de Zoonoses - Foto: Reprodução de vídeo
Cachorros deficientes dentro da baia do Centro de Zoonoses - Foto: Reprodução de vídeo

Outro problema recorrente é a constante falta de médico veterinário para atendimento. Em maio de 2024, a então veterinária deixou o cargo, e a vaga só foi preenchida novamente em dezembro de 2025. Porém, a nova profissional também pediu demissão em janeiro de 2026, deixando mais uma vez a cidade sem atendimento.


Entramos em contato com a prefeitura solicitando informações sobre essas questões. Em resposta por e-mail, foi informado que o município está realizando novo chamamento para contratação de veterinário,  no qual a segunda e a terceira colocadas não tiveram interesse e que aguarda a documentação da próxima colocada no processo seletivo.


Sobre as condições em que os animais ficam no Centro de Zoonoses, a prefeitura afirmou que “os animais são cuidados conforme orientações veterinárias” e que não permanecem confinados o tempo todo, sendo levados diariamente para área externa, exceto em dias de mau tempo.


A administração informou ainda que conta atualmente com cinco funcionários, mas não detalhou horário de funcionamento nem quais deles atuam diretamente no local.


Também perguntamos se existe algum plano para auxiliar cuidadoras e animais resgatados. A prefeitura respondeu que está em andamento um processo para ampliação do prédio do Bem-Estar Animal e adequação do Pet Container, além da aquisição de microchips para identificação de cães e gatos. Entretanto, não foi apresentada nenhuma data ou prazo concreto para que essas ações sejam iniciadas.


Questionamos ainda o que a população deve fazer ao encontrar um animal atropelado, ferido ou abandonado. A resposta foi que, no momento, o município não dispõe de atendimento veterinário, e que o serviço deverá ser restabelecido em breve.


Resta agora acompanhar o trabalho que deve ser realizado pela prefeitura como parte de suas obrigações, além de conscientizar a população para que não abandone animais nas ruas. Em Jardinópolis existe legislação que proíbe a permanência de animais soltos em vias públicas, mas, na prática, o problema continua visível por toda a cidade.


Vale lembrar que o abandono de qualquer animal é crime, conforme a Lei Federal nº 9.605/98. Para cães e gatos, a punição é ainda mais severa pela Lei Sansão (Lei nº 14.064/2020), podendo resultar em prisão.


Denuncie sempre. O Jornal Mídia Digital está à disposição para receber denúncias de qualquer munícipe sobre casos de abandono ou maus-tratos contra animais.


Fotos: Renato gomes / Reprodução de vídeos


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